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Alta demanda para o curso de estatística aplicada desenvolvido na UFU revela carência no mercado

Entender de estatística para gerar maior aproveitamento das pesquisas eleva o nível de conhecimento na academia. Prova disso é que o curso de extensão promovido pelo Prof. Dr. Marcelo J.B. Silva, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal de Uberlândia (ICBIM-UFU) surpreendeu as expectativas. Nem bem iniciaram as aulas e houve a necessidade de formar nova turma. O curso de extensão, focado em estatística de bancada, é o primeiro na temática desenvolvido pela UFU, em parceria com a FAU. Ele foi idealizado para atender um dos grandes desafios dos pesquisadores. Ele trata do uso da estatística aplicada a experimentos de bancadas. Esse tipo de experimento é feito em laboratório e um dos limitantes é o pequeno n amostral. E esse curso trata exatamente disso. Ele elimina o risco de um dado mal interpretado comprometer meses ou anos trabalhos, ou até gerar resultados sem validade científica. Entender de estatística passa a ser o divisor de águas entre uma simples coleta de informações e a produção de conhecimento científico de alto impacto. Para pesquisadores e alunos, ela não é apenas uma ferramenta de cálculo, serve de “filtro de qualidade” que valida a descoberta. “O curso vem para melhorar a qualidade das pesquisas e na formação de pesquisadores mais críticos e mais seguros na análise dos dados”, destaca Françoise Vasconcelos Botelho, professora de Bioquímica do Instituto de Biotecnologia da UFU que faz parte da primeira turma do curso. O papel estratégico da FAU consiste na viabilização do curso, ficando a Fundação responsável pela gestão dos recursos e pelo suporte administrativo. Esse processo auxilia os pesquisadores a focar mais na aplicação do conhecimento e na elaboração da pesquisa, concentrando-se na condução do ensino. O recurso captado é também aplicado na infraestrutura digital, para a emissão de boletos e certificados. A grade curricular oferece 20 horas de imersão teórica e prática, com foco no domínio das ferramentas que garantem a integridade e a publicação dos estudos da pesquisa. “O mais importante, não substitui o raciocínio do pesquisador. Na prática, o conhecimento adquirido no curso vai impactar diretamente no desenvolvimento da pesquisa e na qualidade, trazendo mais segurança na escolha dos testes, evitando erros de interpretação, permite também avaliar melhor se o resultado é realmente relevante, não só do ponto de vista estatístico, mas também biológico”, destaca Françoise Vasconcelos Botelho. O curso superou as expectativas por oferecer ferramentas para facilitar a compreensão de se um resultado é estatisticamente significativo ou apenas obra do acaso. Os módulos ensinam a interpretar os valores, e a tratar dados fora do padrão sem comprometer a ética na pesquisa. “A ideia do curso é ensinar os fundamentos da estatística aplicada e como reconhecer parâmetros que auxiliem na veracidade de um resultado estatístico mesmo com o n amostral pequeno”, explica Marcelo José Barbosa Silva, pesquisador coordenador do curso. Por: Cristiane de Paula (jornalista FAU) Publicado em 16/04/2026 ás 14:27