Soberania Tecnológica: FAU e FACOM/UFU se unem para viabilizar a aplicação de pesquisas de alto impacto sustentável

Foto: Professor e pesquisador da faculdade de computação da UFU, Anderson Santos Em meio a uma corrida geopolítica por terras raras e à escassez de chips no mercado global destinados quase exclusivamente às Big Techs, a inteligência artificial virou sinônimo de alto custo e de dependência externa. Esse cenário cria um bloqueio tecnológico que deixa órgãos públicos, hospitais e empresas fora da transformação digital. Na Faculdade de Computação (FACOM) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), uma ferramenta busca transformar essa realidade ao otimizar o processamento de grandes volumes de dados exigidos pelas IAs. Desenvolvida pelo professor e pesquisador Anderson Santos, a arquitetura, denominada RIS-Kernel foi publicada na revista Scientific Reports (Nature Portfolio) uma das mais prestigiadas do setor. A tecnologia permite que modelos complexos de linguagem operem em hardware padrão, eliminando a exclusividade dos milionários aceleradores gráficos (GPUs) dos supercomputadores, ou gigantescos espaços em “nuvens”. A descoberta científica promete um altíssimo impacto ao democratizar o uso de ferramentas avançadas. Enquanto pesquisadores do mundo todo buscam alternativas para reduzir o impacto ambiental da inteligência artificial, a solução desenvolvida na UFU transforma computadores em potentes ferramentas de IA. “Estamos falando em superar as limitações técnicas atuais causadas pela dependência de bibliotecas que exigem memória quadrática, além de modelos e tamanhos de parâmetros incrivelmente grandes e pesados”, acrescenta o pesquisador Anderson Santos. O trabalho por trás do novo modelo vem sendo refinado desde 2012, coroado com a prova de conceito publicada no final do ano passado com apresentação marcada em conferência nos Estados Unidos. Dentro do plano de modernização da gestão, que vem sendo implantada pela FAU, destaca se aqui a capacidade ampliada de atuar como uma “caçadora de talentos” tecnológicos e uma tradutora da inovação auxiliando o pesquisador a se conectar com o mercado e atrair novas parcerias. O que se estende para a UFU e demais Instituições Federais de Ensino Superior (IFEs), apoiadas pela Fundação. “Estamos indo aos laboratórios, ouvindo os pesquisadores e identificando tecnologias que prometem revolucionar a indústria no país em todas as áreas que possuem alto potencial de impacto social e econômico para conectar a comunidade acadêmica direto com o mercado”, comenta Fernanda Nappi, do Setor de Fomento e Captação de Recursos da FAU. Na prática, a nova arquitetura viabilizará o uso de equipamentos até 60% menos caros do que os supercomputadores tradicionais, permitindo que hospitais, por exemplo e, órgãos públicos, bem como empresas processem dados localmente. A inovação tem um objetivo claro: democratizar o uso de ferramentas de Inteligência Artificial complexas para a modernização de serviços. Essa inovação, fruto da pesquisa na FACOM/UFU, tem o potencial de dar um salto qualitativo nos serviços prestados por prefeituras e estados, além de favorecer a competitividade de empresas brasileiras com menor investimento e maior competitividade. Entre as aplicações destacam-se projetos-piloto em hospitais públicos para investigar surtos de infecção hospitalar por meio da análise ágil de centenas de prontuários. Além de soluções para segurança pública, otimização de trânsito (como “ondas verdes”), logística e processos industriais tornando os serviços mais eficientes, atualizados e com a indústria brasileira mais competitiva. Por: Cristiane de Paula (jornalista FAU) Publicado em 06/08/2026 ás 17h00