Imagem: Coordenador do laboratório de genética, Carlos Ueira com a equipe brasileira da pesquisa e Ana pesquisadora do Canadá
Com recursos da FINEP e apoio da FAU, os pesquisadores do laboratório de genética da UFUestão na fase de desenvolvimento de um dispositivo portátil, semelhante ao glicosímetro. O equipamento terá a capacidade de oferecer diagnóstico precoce, visando reduzir sofrimento humano e custos previdenciários.
A depressão já foi considerada uma das crises silenciosas na saúde mental. Em 2024, o INSSregistrou recorde de afastamentos de mais de 440 mil brasileiros, um aumento de 130% em uma década. O custo em benefícios ultrapassou R$ 1 bilhão. A descoberta no Laboratório de Genética da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) surge como uma esperança para o diagnóstico rápido e o tratamento preventivo.
O projeto teve início em 2017, é coordenado pelos pesquisadores Carlos Ueira (Uberlândia), Ana Paula Mendes Silva (Canadá) e Breno Diniz (EUA). Em análises de microRNA circulantes no sangue de pacientes com depressão foi possível identificar um deles com potencial biomarcador para diagnóstico dessa patologia. Foi desenvolvido um teste utilizando qPCR(mesmo sistema usado para diagnóstico da COVID) e testado em pacientes. Além disso, os pesquisadores desenvolveram um biossensor para diagnóstico rápido.
Ao todo, 116 participantes, entre pacientes e indivíduos saudáveis, tiveram o transcriptomasequenciado. Com base nesses resultados, foi desenvolvido um biossensor para diagnóstico rápido e de baixo custo (utilizando tecnologia semelhante ao do sistema usado para diagnóstico da COVID). “É importante destacar que esse biosensor apresentou estabilidade por até 40 dias e precisou de apenas 14 μL de plasma para gerar resultados em cerca de 30 minutos, reforçando seu potencial como uma ferramenta de diagnóstico rápido que pode ser utilizada diretamente no local de atendimento ao paciente”, acrescenta Ana Paula Mendes, pesquisadora de medicina molecular e coautora na pesquisa.
A equipe utilizou moscas transgênicas da espécie Drosophila melanogaster como modelos biológicos para a validação de como esse biomarcador funciona dentro do corpo. Os resultados foram surpreendentes, as moscas que receberam os marcadores apresentaram o mesmo comportamento humano em estágio grave de depressão como, isolamento social e redução drástica na alimentação. “Conseguimos identificar o sinal biológico exato da depressão. O sensor não detecta apenas um sintoma, mas o marcador genético que confirma a patologia”,explica Carlos Ueira.
Atualmente, o diagnóstico da depressão é somente clínico, baseado em questionário, e muitas vezes tardio, o que leva ao agravamento do quadro e aos altos índices de falta de concentração à exaustão. Além disso, o uso de medicamentos prescritos pelos médicos pode falhar e é bem comum a troca até encontrar um medicamento mais adequado ao paciente. “O uso do teste que desenvolvemos na UFU poderia ajudar no diagnóstico. Além disso, estamos pesquisando agora se ele poderá ser usado para o monitoramento do tratamento. Isso daria maior qualidade de vida para os pacientes e familiares. Também ajudaria na redução significativa dos custos com tratamento para os pacientes e para o SUS. Essa é uma pesquisa com resultados inéditos”, completa o pesquisador.
Com recursos da FINEP o projeto evoluiu para o desenvolvimento de sensores eletroquímicos portáteis. O objetivo é chegar ao diagnóstico no consultório médico com um dispositivo semelhante ao glicosímetro, para que seja tão simples quanto medir a glicose.
O sensor terá a capacidade de apresentar o resultado para o diagnóstico a partir de uma gota de sangue e em alguns minutos.
A próxima fase é atrair parceiros para concluir os testes e finalizar a pesquisa e uma indústria para a fabricação e comercialização do dispositivo.
Por: Cristiane de Paula (jornalista FAU)
Publicado em 15/05/2026 ás 15:54




