Expedição do Terrantar nos Andes.
Arquivo pessoal professor Eduardo Senra
Pesquisas sobre o comportamento térmico e hídrico dos solos das regiões frias da terra estão sendo realizadas em parceria entre a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e a Universidade Federal de Viçosa (UFV). O grupo de pesquisadores, que inclui Eduardo Senra do Instituto de Ciências Agrárias da UFU, campus Monte Carmelo e coordenado pelos professores Carlos Schaefer e Márcio Francelino da UFV que estudam as áreas frias da Antártica e Região Andina desde 2003. São cerca de 30 pesquisadores de diversas universidades, com recursos FAPEMIG e CNPq.
O pesquisador Eduardo Senra, integra uma rede de mais de 30 pesquisadores do projeto Terrantar e contam atualmente com cerca de 40 sítios de monitoramento dos solos na Antártica e na região Andina. O professor da UFU retornou de uma expedição no início deste mês, da montanha Auzangate, próximo à Cusco, no Peru, além de ter feito parte de uma expedição à Antártica no início do ano. O Terrantar também estuda as relações ecológicas, do ciclo do carbono e da hidrologia associada aos solos. “Tudo está conectado”, explica Eduardo Senra pesquisador do Instituto de Ciências Agrárias da UFU/Campus Monte Carmelo.
Um dos focos da pesquisa é o permafrost, camada de solo permanentemente congelada por pelo menos dois anos consecutivos. Por ser sensível as variações climáticas e armazenar matéria orgânica, essa formação funciona como uma espécie de controle natural do clima. O monitoramento é crucial para avaliar o impacto ambiental do aquecimento do planeta. “Já observamos uma tendência de aquecimento comum a todos os ambientes, mas com taxas variadas, que pode chegar a quase dois graus em uma década. É um valor considerado alto para o período de 10 anos de trabalho”, destaca o pesquisador Eduardo Senra.
Segundo o professor, considerando o espaço de tempo da pesquisa, os resultados obtidos até agora, embora apontem um aumento da temperatura, ainda não são suficientes para um prognóstico definitivo, mas apontam riscos consideráveis de interferências em outros ecossistemas do planeta. “A região da cabeceira andina da Bacia Amazônica é responsável por pelo menos 8% do balanço hídrico da bacia, e pelo o fluxo de sedimentos. Então, tem um papel muito importante para preencher e fertilizar as planícies fluviais do Amazonas; interfere na fauna, na flora e em toda a dinâmica fluvial naquele ambiente”, destaca Eduardo.
O Cerrado do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba também podem sofrer com as mudanças que ocorrem nos Andes. “Nós somos conectados pelo ciclo hidrológico; boa parte das nossas chuvas são de origem amazônicas, a atmosfera conecta tudo. No futuro, mantido esse ritmo de aquecimento e esses desequilíbrios, afetará também a fisiologia da floresta”, alerta Eduardo Senra.
A médio e longo prazos, os resultados das pesquisas podem contribuir com subsídios para políticas públicas mais eficientes, com localização estratégica de recursos focados na preservação ambiental, além de impactar positivamente na educação. “A divulgação das pesquisas para a sociedade e o trabalho em sala de aula desse conteúdo atualizado dá estímulos ao estudo, com uma visão disruptiva aplicável em qualquer área”, destaca o professor de solos e sistemas agroflorestais da UFU.
Por: Cristiane de Paula (jornalista FAU)
Publicado em 08/01/2026 ás 14:15




