Imagem: Doutoranda Carolyne Ferreira Dumont executando ensaios microbiológicos
O mais recente caso de sucesso de parceria entre academia e setor produtivo na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), vem da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia / PPGCVET. A pesquisa ocorreu em parceria com a empresa Start Química e acaba de ser publicada na revista internacional ACS Ômega, em 18 de março deste ano (DOI: 10.1021/acsomega.5c08705).
A pesquisa, intitulada “Sanitizantes tradicionais vs naturais/inovadores: desafio in vitro e in situ em bactérias multirresistentes”, foi liderada pela pesquisadoraProfa. Dra. Roberta Torres de Melo. Ela foi realizada com a participação de alunas de mestrado e doutorado do PPGCVET. A equipe contou ainda com a participação direta da gerente de PD&I da empresa parceira. O resultado poderágerar nova corrida por defensivos agrícolas mais eficazes e com menos comprometimento ambiental. “Os dados mostraram elevada eficiência de compostos orgânicos, oriundos do neem e da melaleuca, no controle de patógenos multirresistentes oriundos de ambiente hospitalar e de indústrias de alimentos. As expectativas para o setor são promissoras, especialmente porque já contamos com o andamento de pesquisas para iniciar o registro de dois produtos: um adjuvante agrícola e um higienizante para múltiplas superfícies. Como próximos passos, avançaremos com testes aplicáveis ao controle microbiológico no setor agro, visando validar e ampliar seu uso prático”, destaca a professora e pesquisadora Roberta Torres.
A empresa, que já atua e em soluções de limpeza, assepsia e higienização em diversos setores, desde doméstico a hospitais e toda linha alimentícia e de bebidas, terá com a publicação um novo marco para o desenvolvimento de novos produtos. “O reconhecimento, amparado por resoluções internas da universidade e pelo Marco Legal de CT&I, insere a empresa no seleto grupo de indústrias brasileiras com produção científica de alto nível e abre portas para novos mercados e editais.”, destaca Maria Abadia Celestino, gerente de inovação da empresa.
Mais do que prestígio, os artigos funcionam como uma prova de conceito e uma “carta na manga” para comprovar a maturidade tecnológica da empresa em editais de fomento e novos mercados. “Publicar um artigo científico em uma revista internacional é o sonho de todo pesquisador. E, esse sonho também se estende a nós, profissionais das indústrias, que buscamos ascensão de carreira e para as empresas que precisam registrar o que desenvolve no campo da inovação de produtos e processos com as universidades”, comenta a gerente de PD&I, Maria Abadia Celestino
Para a equipe acadêmica, a experiência de tirar a pesquisa do papel e levar os resultados para a linha de produção é o maior ganho. “Como doutoranda, esse tipo de trabalho me permite reconhecer a aplicabilidade da pesquisa no mercado. Além de fortalecer minha rede profissional e aumentar as oportunidades de publicações, patentes e crescimento na carreira”, disse Carolyne Ferreira Dumont, aluna que participou da pesquisa.
O que antes era restrito aos laboratórios acadêmicos agora ganha as linhas de produção. “O benefício é duplo: a universidade gera conhecimento aplicado e a indústria, Start Química, ganha projeção nacional e internacional como polo de inovação. “Toda pessoa que contribui para a realização de um artigo científico precisa ter o devido reconhecimento como autora“, comenta Marina de Souza, da Divisão de Propriedade Intelectual da UFU.
Investindo na inovação aberta, com projetos em parceria com laboratórios da universidade, a indústria, só com a faculdade de veterinária soma, em seis anos, 4 dissertações de mestrado, 8 alunos de iniciação científica e 2 projetos aprovados com agências de fomento. “Já temos produtos na área de alimentos e estamos agora, analisando para a agricultura no combate a fungos, todos ganham com a parceria; universidade, alunos, professores, sociedade e indústria”, destaca a gerente de PD&I da empresa parceira.
O fluxo de inovação começa na identificação de um problema real da empresa. A partir daí, os pesquisadores propõem a solução com a gestão financeira da Fundação de Apoio Universitário (FAU). Uma vez executada e aprovada, a solução pode ser patenteada ou gerar artigos científicos com coautoria entre universidade e empresa, garantindo que o conhecimento gerado na UFU transforme a realidade econômica da região.
A revista (ACS Ômega) possui fator de impacto 4,3, com classificação no estrato A2 pela CAPES, sendo uma das referências mundiais na área de Química e Ciências Aplicadas.
Por: Cristiane de Paula (jornalista FAU)
Publicado em 02/04/2026 ás 17:30




