Coordenador do Laboratório de Mecânica de Estruturas (LMEst-UFU), professor Aldemir Cavallini Jr apresentando o sensor wireless usado para o monitoramento de equipamentos instalados em uma plataforma de exploração de gás e petróleo
Pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) comemoram uma marca histórica: a entrega de 750 sensores com inovação tecnológica de ponta para a Petrobras. A inovação foi desenvolvida no Laboratório de Mecânica de Estruturas (LMEst-UFU), o dispositivo custa apenas um terço do valor do principal concorrente e representa um salto na segurança e eficiência da exploração de petróleo e gás natural em águas profundas.
O segredo tecnológico do sensor fabricado no LMEst–UFU está muito além do tamanho. Os pesquisadores conseguiram romper desafios técnicos e superar as expectativas do mercado. Com a patente registrada, a transferência de tecnologia foi realizada para a empresa Cromatek, fornecedora da Petrobras, consolidando o modelo de parceria entre universidade e indústria. “Todos saem ganhando. Estamos nesse projeto desde 2018 e, neste terceiro aditivo, conseguimos chegar a um padrão de eficiência que supera os sensores existentes no mercado. Além de oferecer maior segurança no monitoramento de ativos, o cliente, no caso da Petrobras, fica com todos os dados registrados pelo sensor”, explica o professor Aldemir Cavallini Jr, coordenador do LMEst-UFU.
Na corrida petróleo e gás natural em águas cada vez mais profundas, o pequeno dispositivo veio como peça-chave para garantir segurança e economia. Ele permite uma exploração mais robusta em áreas de altíssimo risco de explosão, as chamadas “zonas zero”. O sensor faz a leitura da vibração dos equipamentos de exploração, suporta condições ambientais severas, como salinidade e altas temperaturas, três anos de operação com uma única pilha e ainda possui um software que armazena e analisa os dados coletados. “Foi um grande passo. O equipamento é resistente e eficiente, permitindo que a empresa use os dados coletados para monitorar diferentes equipamentos e preveja falhas. O modelo disponível no mercado não permitia que as informações ficassem disponíveis dessa forma”, completa o professor. O LMEst-UFUé parceiro de longa data da Petrobras. Além dos sensores de vibração, os pesquisadores se especializaram em desenvolver soluções para o setor de petróleo e gás natural com diferentes sensores.
A agenda da inovação não para: agora em fevereiro, uma equipe de pesquisa parte para alto mar. O objetivo da missão é instalar e testar novos sensores, agora voltados para a medição de pressão, monitoramento de ruído e da velocidade e direção de ventos em plataformas.
Na corrida por inovações, o LMEst-UFU conta hoje com mais de 60 pesquisadores que recebem bolsas pelos projetos desenvolvidos. São equipes multidisciplinares que somam expertises no desenvolvimento de softwares e algoritmos de alta eficiência para o monitoramento de ativos. São novas tecnologias capazes de auxiliar as equipes de manutenção na avaliação da condição estrutural de equipamentos.“Nossos sensores são fixados em dutos e enviam alertas para o computador em terra antes que falhas nos equipamentos possam ocorrer”, detalha o professor Aldemir Cavallini Jr.
Os pesquisadores também comemoram a marca superada de 50 artigos publicados em revistas internacionais e as 5 patentes em conjunto com a petrolífera brasileira. O próximo desafio já está traçado: o LMEst-UFU busca se tornar uma Unidade da Empresa Brasileira de Inovação Industrial (Embrapii). Ocredenciamento permitirá ampliar a captação de projetos e o acesso a recursos não reembolsáveis, atraindo novos parceiros industriais. Todos os projetos foram viabilizados pela Fundação de Apoio Universitário que executa a administração financeira e compras tanto nacionais quanto de insumos de outros países.
Por: Cristiane de Paula (jornalista FAU)
Publicado em 27/02/2026 ás 17:02




